Parece um pesadelo

Meu irmão se matou. Tudo que o envolve me é um enigma.

Não sabemos o dia: se foi dia 23 ou 24 de fevereiro. Acharam o corpo por volta das 10h do dia 24.

Foi um tiro certeiro em seu cérebro. Em sua cama. Em seu quarto. Na casa de meus pais em São Luís.

Espero que ele não tenha sentido dor. Espero que, onde quer que ele esteja, ele não esteja sentindo dor. Alguns espíritas que o conheciam disseram que ele está numa colônia espiritual, que ele se arrependeu, que ele ouvia vozes e pensamentos ruins o acometeram naquela noite.

Ele não deixou carta ou nada explicando, se despedindo, falando alguma coisa sobre sua vontade imensurável de morrer.

Eu me culpo. Por não ter dado atenção, por ter me afastado, por tudo.

Eu sinto raiva: de mim, de ele não ter deixado nada, de ele não ter falado comigo, de ser um enigma isso tudo.

Eu sinto dor, uma dor que não pode ser sanada, não importa o que eu faça. Acho que só posso esperar, e eu nunca fui muito boa em esperar.

Eu não tenho vontade de fazer absolutamente nada e, ao mesmo tempo, tenho vontade de fazer tudo (talvez com o intuito de que alguma coisa amenize a dor). Mas há horas em que acho que vou enlouquecer (como agora). É um  peso e agonia que dilacera meu peito e aperta minha cabeça até o ponto em que sentir se torna insuportável. Então tenho vontade de bater/socar algo. A voz das pessoas me irrita, a presença delas às vezes é insuportável. E nessas horas (agora) eu tenho vontade de sair andando por aí.

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