Monólogo entre nós duas (eu e eu)

E será que terei de mergulhar em mim

até o fundo do Mar

buscando quem eu sou

sob o risco de nunca me achar?

Mas será que posso ser reduzida

a uma palavra tão pequena

como  EU?

Chega a dar pena…

nem parece que aprendeu

a jamais sucumbir à pequenez

apenas abraçar tua complexidade

E quando a vida te der uma rasteira

pegar tuas forças e levanta com humildade

pois a névoa é passageira

assim como a saudade

 

Será que no futuro serei feliz?

Bom, minha cara, eu não sou cartomante

Sou eu, sou tu e nossa amante

Não posso garantir quem seremos amanhã

Contenta-se como o presente

Isso me deixa mais sã

ou mais doente?

 

E se minha vaidade for me levar a algum lugar

que eu costumava ir

que seja para o canto da cidade

onde gritam por justiça

aqueles que tu nunca se deu o trabalho de ouvir

Falando em trabalho, trabalho para vida toda é

desconstruir essa tua ideia de meritocracia

doença que aflige somente os enjaulados na periferia

Enquanto uns já nascem no topo

e se automedicam de regalia

 

E se ainda hesito em me rendar completamente à revolta

é pelo receio de saber

que depois de abrir o olho

não há mais volta

Se eu construo um barco e abandono o remo

significa que não quero mais voltar?

Então se eu nasci com voz e rebeldia

implica que não vou mais me calar

 

Posso não me achar

no primeiro pulo certeiro

mas sei que não estou no fundo do Mar

pois sou o Oceano inteiro

 

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