Para aqueles que não se amam.

Não se enxergar como tu é, não se amar e não se achar merecedor de amor é um comportamento tão cruel do ser humano contra si mesmo.

Sim, eu nunca me aceitei plenamente. Eu nunca fui boa em reconhecer no que sou boa, no que não sou, se sou simpática ou grossa, se sou de fato inteligente ou se é algo que me dizem para me fazerem sentir melhor. Eu não sei o que sou pelo fato de ser ou se sou pois me disseram que eu era determinada qualidade/defeito. Porém ultimamente não venho me importando com essas questões. Adotei a estratégia de ignorar nas críticas severas e nada construtivas, de nada me agregam a não ser com mais ódio e raiva. Estou em busca de conseguir convencer a mim mesma que eu sou o bastante, que consigo me fazer feliz, que posso ser uma versão melhor de mim (contanto que a vontade venha de dentro), que eu sou capaz (de qualquer coisa, até mesmo de me amar, algo que sempre julguei impossível).

Eu não sei. Não sei quem sou. Quem vou ser. Se serei diferente, uma versão melhor de mim ou mais degenerada. O que me conduz a sentir o que sinto? A me comportar da forma como ajo? Eu não sei disso. Mas também não sei de onde vim, se há vida após a morte, não sei quantos passos já dei na vida, não sei se estarei viva amanhã, não sei como funciona a fibra óptica, não sei quanto tempo demora a gestação de uma baleia… não sei de tantas coisas.

Eu não sei muito mais do que eu sei (ou acho que sei). E essa é a condição de se estar vivo: aceitar nossas capacidades e suas limitações. Podemos passar uma vida inteira em busca dessas respostas mais complexas que não teremos certeza de sucesso. Claro que nós humanos vivemos de perguntas e isso nos conduz ao conhecimento. Mas devemos aceitar também que algumas perguntas seguirão sem respostas por um tempo indeterminado.

O auto conhecimento surge a partir dessas questões. O auto conhecimento vem da necessidade de se compreender mais a fundo, ao mesmo tempo em que temos de admitir a ignorância perante a nossa complexa existência. O auto conhecimento pode levar uma vida inteira e permite o nascimento do amor próprio. Ele planta a semente da aceitação da nossa natureza humana – passível de erros, pensamentos ruins, dias desanimados, falhas e da morte. Após plantada, temos que estar constantemente regando esse amor próprio com mais conhecimento, amor, intimidade com pessoas queridas e mais aceitação.

Se odiar a ponto de afastar as pessoas ou se relacionar com pessoas tóxicas revela a ausência de conhecimento sobre si. Eu sou um ser humano, como todos os outros que conheço. Nada nos difere, nada nos eleva ou nos reduz em relação aos demais. Merecemos amor, carinho, compreensão, paciência, tranquilidade numa realidade em que há dor, sofrimento, injustiça e o esquecimento.

Temos de elevar os aspectos positivos de nossas personalidades para que os negativos não nos consumam por inteiro, tornando a nossa existência mais dolorosa do que já é.

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