Reflexões sobre o que me forma (mais ou menos)

Aparentemente, somos a projeção do nosso passado: infância, adolescência, a relação com nossos pais, parentes, amigos e pessoas estranhas que passaram por nossas vidas.

Somos os olhares de reprovação, as críticas ao nosso comportamento, as paranoias, a sexualidade reprimida, os pensamentos negativos, a falta de confiança nas outras pessoas e – acima de tudo – em mim mesma. Sou a introversão e quietude, pois falar sobre mim e me revelar – até mesmo para conhecidos – significa expor os aspectos considerados negativos do meu ser – os quais, ao crescer, soube que são apenas os infinitos espectros que me formam.

Veja bem, não estou aqui para culpar meus pais (ou meus tios, avós, primos, amigos, pessoas estranhas). Somos humanos e temos falhas. Se, porventura, algum dia eu decidir ter filhos, também serei “responsável” por alguns aspectos falhos da vida deles. A vida é assim. Posso decidir me lamentar pelos “erros” dessas pessoas ou superar essas questões, por mais difícil que pareçam.

Ultimamente venho percebendo que alguns comportamentos que capturo nas pessoas, os quais me irritam, digamos assim, podem ser reflexo de uma questão ainda não resolvida dentro de mim. Vou falar disso depois.

Primeiro, quero me dizer que: eu não preciso estar sempre provando o meu valor para as pessoas. Isto é, não tenho obrigação de agradar ninguém.

Mas, minha cara Angélica, isso é óbvio!

Sim, eu sei. É que na verdade eu estou sempre tentando agradar uma parte da família que esteve presente na minha vida por um período significativo (minha infância toda e adolescência). E meu pai me ensinou que “somente a família é para sempre, família é tudo” e blábláblá. Como se eu fosse obrigada a suportar qualquer coisa que venha da família, mesmo que me faça mal. E eu suportei, por um tempo. A família é sim importante para mim, mas eu não pertenço à ela. Minha confiança em outras pessoas foi severamente prejudicada e escassa ao longo da vida, pois eu acreditava que elas eram “más” ou jamais me acolheriam como a minha família. E, digamos que, a minha família paterna tem um jeito peculiar (lê-se: violento rs) de se amar.

Um jeito mesquinho, agressivo, sovina, crítico, preconceituoso de se amar.

E eu não gostaria de procurar nas outras pessoas essas formas de amor. Porém sinto que me atraio por pessoas que esbocem uma certa repulsa por mim, para que eu me sinta desejada, pois foi isso que aprendi: aprendi a me ver assim (repulsiva) e aprendi a gostar de quem me vê como sou (repulsiva). E quando aparece alguém que me trate bem, eu a afasto, afinal, não tenho nada a provar para pessoa: ela reconhece-me como uma pessoa digna de amor e afeto.

E, infelizmente, ainda me vejo não merecedora dessas coisas.

 

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