Shanghai

Quando nos encontramos naquela cidade portuária úmida, chuvosa, iluminada e estranha

eu estava tomando as primeiras golfadas de ar

após um longo período de tempo acorrentada no fundo do oceano

Respirei… respirei aliviada e absorta pelo mundo novo que descobri

acima das profundezas sufocantes em que sempre vivi

Tu estava lá à deriva – ou nem tanto – me espreitando

Algo no jeito como eu nadava chamou tua atenção

E nadamos juntos por dias que se estendiam sem dormir, sem nos separar, sempre juntos.

Então tu nadaste para longe. Fechei os olhos e tu desaparecera

Ainda não sei o que aconteceu, apenas que eu estava dando braçadas sozinha novamente

Porém achei que tu havias me ensinado a nadar, e, sem ti, eu iria me afogar

Tola… eu me ensinei a nadar.

Somente eu posso me salvar do fundo que me puxa. Tu só estavas ali por acaso

pela correnteza enigmática do Universo que te levaste até mim.

 

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