Reflexão sobre privilégios, dores e indiferenças

Não se é meu egoísmo aliado à indiferença.

Quero sentir tranquilidade dentro de mim, busco em canções alegres, em poemas esperançosos, vou coletando no meu dia a dia (à medida do possível) situações pelas quais vale a pena sorrir e continuar vivendo.

Contudo, o mundo ao meu redor continua imerso na dor e na desgraça. Pessoas sem casas, perdendo seus empregos, sofrendo abusos, pessoas querendo se matar, pessoas sendo mortas, estupradas, negligenciadas… O mundo está mergulhado na perversão humana que, aparentemente, segue a lógica do universo. Como eu posso me sentir em paz quando há pessoas no meu círculo de vivência sofrendo, quando as outras pessoas estão decaindo em doenças físicas e mentais? É egoísmo meu querer paz quando o mundo esboça tudo menos isso?

Estaria o Universo nos bombardeando de sofrimento por alguma razão ou a dor é apenas uma condição inerente do ser humano? Nossos corpos frágeis padecem em doenças físicas e mentais devido ao desequilíbrio no qual vivemos? Tudo mata.

Não conseguimos sequer lidar com o fato de que a morte é o destino. Conseguimos então compreender que a dor é um caminho? Caminho que nos leva para onde?

Verônica diz que minha ansiedade tem a ver com a minha intolerância à frustração. Acho que já sou frustrada o tempo todo, então presenciar uma situação em que ela será acentuada me causa repulsa à vida. Não quero viver para não ficar frustrada. Sigo indiferente? Não vivo? Para mim, é difícil aceitar que a frustração sempre estará presente, que superar uma dor não implica que não haverá outras no futuro.

A vida se resume é superar dores e em esperar que não sintamos mais nenhuma, mesmo sabendo que não é verdade?

A vida se resume é tentar se esquivar dessas dores por meio da indiferença e da não-vivência?

Minha vida privilegiada me isenta de certa dores e preocupações. Ao mesmo tempo, não consigo viver em paz com esses privilégios por: 1) saber que a grande maioria das pessoas não têm a mesma oportunidade que eu e 2) saber que são voláteis, logo, temo perdê-los e não saber como viver sem eles.

Como viver com privilégios, se vivo com culpa?

Como viver sem privilégios, se vivo na busca?

Vivo de forma egoísta ou indiferente com o objetivo de não sofrer? Aceito e vivo o sofrimento que a vida deposita ao longo de nosso caminho? Me parece as únicas alternativas a serem tomadas, com uma certa reflexão sobre qual escolher em cada situação.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s