É incrível a solidão de domingo. Talvez seja a quietude ao redor. O descanso, o ócio oficializado e sem culpa. Nos voltamos para dentro de nossas conchas, nossos corpos, nossas famílias em nossas casas.

Isso porque temos uma.

Alguns, várias.

Muitos, nenhuma.

Pelos meus passeios na cidade de São Paulo me deparei com incontáveis moradores de rua. Ele moram na rua.Eles são das ruas, mas as ruas não são deles. Não foram feitas para eles. Quando o mundo se cala nas madrugadas, eles não voltam para suas casas. Eles permanecem na rua.

Alguns privilégios são muito difíceis de serem abstraídos. Ter uma casa é um desses privilégios. Como alguém pode não ter uma casa? Nenhum lugar para retornar após um cansativo dia de trabalho? Talvez seja falta de empatia ou ignorância, mas morar numa casa sempre me pareceu algo “natural”. Na verdade, numa parei para pensar de fato nessa questão. Claro que eu sabia que existem moradores de rua, claro que não me sentia confortável observando-os por aí. Mas uma cena em particular me chamou a atenção.

Eu e minha vó passávamos pela Praça da República em direção à estação de metrô ali perto. Vi um homem sem calçados, vestindo só uma bermuda surrada, agachado na beira de um pequeno lago que tem na praça. Se ele foi ali para lavar o rosto ou beber a água, eu não sei, pois ele estava de costas para mim. Mas percebi que aquele gesto

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