As chamas me chamam

Amar-te é como sentar-me em frente a uma fogueira numa noite especialmente fria. Após alguns minutos, sinto-me aquecido e aconchegado perto do fogo. A temperatura ambiente perfeita. De forma inexplicável, começo vislumbrar a beleza descomunal das chamas. Suas cores vivas e cintilantes… emanam a mais pura luxúria. Num piscar de olhos, vejo-me tentando tocá-las.

São tão perigosas… as chamas.

Porém ignoro qualquer instinto corpóreo ou pensamento racional e só penso em me aproximar. Quero as chamas lambendo meus dedos.

O calor do fogo os repele, avisando-me para me afastar. Ao olhar distraído e distante, o fogo é belo e inofensivo. De perto, letal e indomável.

No entanto, só consigo imaginar como desejo aquelas chamas rastejando por debaixo da minha pele, queimando minha carne herege e aquecendo minha alma pagã.

“Vil criatura, tu és!”, quero ouvir-te sussurrar enquanto tu me consomes por inteiro sem qualquer manifestação de misericórdia à minha pele humana.

“Diabólica!”. Homens abandonam a eternidade no Paraíso para se deliciarem com a dor inebriante que é amar-te.

E como queima! Sinto cada célula em combustão.

Amar-te é sentir tua alma preenchendo os infinitos espaços vazios dos átomos do meu ser.

E dói tanto! Não o fogo me consumindo. Não…

Dói não ter certeza de nada. Não saber se tu vais estar ao meu lado amanhã.

Dói não ter certeza se haverá uma vida após essa, pois é como se apenas uma não fosse o bastante para amar-te como tu mereces.

Preciso de infinitas vidas para apresentar-te o Universo.

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