Reflexões de Páscoa

A pressa da juventude por um futuro imprevisível pela frente é uma sensação assustadora. Causa-me arrepios. Um sentimento que é, ao mesmo tempo, capaz de provocar um buraco no meu peito e me fazer sorrir. Impotência e animação me atingem como uma onda surgida num mar calmo.

Sinto que a vida não é bela ou assustadora. Ela é, simplesmente (ironia), sincronizada com nossa percepção dela, seja nos momentos bons ou ruins que temos. Uma música é o bastante para me fazer acreditar num futuro melhor: recheado de risadas, dores, aprendizagem, decepções e reflexões. Uma música me faz perceber que nem todo período sombrio dura até o final da semana, do ano ou, até mesmo, do dia. Minha capacidade de observar o mundo ao meu redor como ele realmente é tornam-se suscetível às influências externas, deixando-me mais propensa a absorver vibrações negativas do ambiente ou das pessoas. Considero-me bastante adaptável às circunstâncias e situações, apesar de eu mesma ser uma criatura altamente propensa a mudar rapidamente, seja de humor, opinião ou sentimentos. Assim, tenho uma dualidade em mim que estou tentando entender e, quem sabe, conciliar. Sou uma dialética ambulante. Porém, nas últimas semanas um sentimento de desânimo e pessimismo se instalou em mim, dificultando a visão da vida como a vida é e como ela pode ser.

Contudo, há uma Força enorme dentro de mim. Ela permanece num quarto, aguardando pacientemente o momento em que a agonia me toma por inteira. Então a Força abre a porta e me toma em suas braços, como uma mãe que flagra seu filho em prantos num canto. Eu sinto o poder da Força me erguer. Eu sorrio para mim mesma. Abro o olho que permaneceu fechado por um tempo. Sou a mesma, sempre fui essencialmente essa mulher um tanto mal-humorada ao olhar longínquo. Sou uma menina-mulher esquisita e engraçada ao olhar mais próximo. Ao olhar íntimo, sou as duas ao mesmo tempo. Assim, consigo perceber que não há motivos para me sentir inferior ou superior a ninguém, a Força me garante. Apenas tenho de buscar a evolução dentro e fora de mim, em qualquer aspecto da minha existência devo procurar crescer. Minha intuição me guiará pelos cômodos escuros até que eu alcance o quarto onde reside Luz.

Consigo perceber que nem tudo vai ficar bem. Problemas são parte da vida. É tão óbvio e cliché. Porém nos esquecemos disso. Temos esse vício de pensar que tudo é fixo. Na verdade, achamos que as coisas permanentes são passíveis de mudança, e que as coisas mutáveis são permanentes. Somos uma raça tola, devo ressaltar. Temos pensamentos tão irredutíveis em relação a nós mesmos e à vida. Nosso microcosmo pode mudar drasticamente, porém, não perceberemos a mudança se nossos olhos estiverem fechados e nossas mentes, dormentes.

Percebi também que sou começando a distinguir o corpo, a mente e a alma. O corpo e a alma são opostos, ligados pela mente, a qual realiza essa conexão improvável de forma tão confusa, por vezes. Assim, temos de manter os três sincronizados. O corpo é um veículo comandado pela mente, a qual leva a alma para passear pela vida, adquirindo experiências. O mundo está cheio de pessoas, momentos bons e ruins a serem vividos. O corpo e a mente irão sentir a dor e a alegria, enquanto a alma vai transformar essas sensações em evolução. Uma alma centrada saberá absorver o aprendizado de cada ação e acontecimento, de cada pensamento e interação interna ou externa.

Vejo que minha mente curiosa estava incompatível com meu corpo preguiçoso, levando a uma alma sedenta por experiências sociais. Nos últimos dois anos, me foquei nas experiências sociais e esqueci da doçura da solidão intermitente. Porém, percebo que devo balancear ambos: não posso evoluir somente vivendo com minha própria companhia, assim como não posso me conhecer apenas me nutrindo do mundo exterior. Devo equilibrar o auto-conhecimento e o conhecimento exterior.

A maior parte dos meus 21 anos passei trancada no meu quarto, observando o mundo de longe, apenas me conectando com ele por meio da arte. Porém meus olhos querem mais do mundo lá fora…

Então, lá vamos nós três: corpo, alma e mente.

 

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