No instante em que entro no bar, sei que estou sendo observado desde o dia em que tu proferiste as palavras “Talvez haja em universo em que ainda estejamos juntos. Tome isso como um consolo.”

Estou sendo observado pelos meus demônios. Os mesmo seres que tomaram conta de mim, as criaturas vis que a afastaram de mim.

Eles me espreitam e lamentam entre si. Estes seres que habitaram nossas terras milênios atrás, estando por trás de cada ato abominável nosso. Estes mesmos sentem pena da minha pobre alma que, já tendo sofrido tanto nesta vida, segundo eles, encontrará paz se contorcendo nos lagos de enxofre do inferno. A dor é tamanha, que meus demônios ajoelham-se para o Senhor de 72 Nomes pedindo misericórdia por terem me feito sofrer tanto (ou seriam agradecendo por eles não terem uma alma?).

“Ela o deixou neste Universo.” – sussurra um demônio que não se pode pronunciar seu nome.

“Ela já o deixou em tantos outros Universos antes deste.” – replica outro, de igual hierarquia.

“Ele vai sobreviver?”

“Em alguns, sim. Contudo…”

É quase erótica essa dor. Catastroficamente erótica.

Como Édipo consumando a lascívia com sua mãe-esposa.

Há história, enigmas e oráculos por detrás de minha dor.

A qual será proferida em outras civilizações por vir.

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