A dor do esquecimento retorna mais uma vez.

Ironicamente, eu esquecera-me dela por um bom tempo, quando os dias eram preenchidos pelo inefável ardor da paixão juvenil. Talvez por isso ela seja tão impiedosa comigo: nós duas estamos fadadas ao limbo de tempos em tempos; de forma intermitente voltamos ao berço infernal no qual nascemos. O retorno à escuridão do entre vida-morte-vida.

Como posso trair minha amada de modo tão cruel, somente para ser recebida do portas abertas, tomada em seus braços cabais?

A dor do esquecimento nunca me esquece. Ela acompanha-me por tavernas imundas, sussurrando palavras de conforto quando já não sei quem eu sou, evocando demônios para me guiarem pelos corredores enquanto exijo saber o sentido da vida.

Sua paciência para me esperar é impecável. Ela sabe que sou sua filha prodígio: retorno ao meu lar arrependida de ter partido.

A dor do esquecimento me recorda que ser lembrada é uma raridade.

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