A vida é a arte de esquecer

Cada palavra tua é uma faca de dois gumes. E descobri de um jeito amargo que não sou tão impenetrável quanto pensei. Sou feita de carne e sentimentos ainda não nomeados, ambos prontos para serem machucados enquanto tu me coloca para dormir.

Tuas ações, algumas vezes, não condizem com o que tu me sussurras toda manhã.

No entanto, em partes, a culpa é minha, meu bem. Eu, que sou tola e ingênua, esperançosa e raramente confiante, não hesitei em tomar-te como “diferente” dos outros que já passaram pela minha vida e que deixaram pegadas superficiais mas visíveis o suficiente para que, teoricamente, eu aprendesse com os erros.

E assim, meu querido, descobri como mulher o que somos aos olhos dos nossos adoráveis homens.

Por mais que sejamos companheiras e dedicadas a todos os aspectos do relacionamento, nunca será o bastante.

Eu não fui o bastante para te impedir de cometer erros.

Quem sou eu para julgar se tu me amavas ou não, e apenas sofreu um deslize por ser homem?

Mas quem é tu para achar que sou obrigada a aceitar que ponhas a culpa num órgão viril e sempre murmurar “eu te perdoo” enquanto junto os cacos da minha dignidade pelo chão?

Sinceramente, sempre achei que tu fosse melhor que isso, mais maduro, que me amava o suficiente para não chegar ao ponto de recorrer a outras mulheres para satisfazer desejos tão efêmeros, mas que deixaram marcas profundas em mim.

Só me resta esquecer, como fazem todas as mulheres que conheço.

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