É uma tarde, quase noite, de verão chuvosa. Não chove faz um tempo. Posto esse poema que escrevi semana passada para tentar me lembrar que a dor vai passar algum dia. Seja a dor de ser esquecida, seja a dor de viver.

*    *    *

Atingi sôfrego o estopim do sofrimento

Sabendo que a dor existia apenas na minha mente

meu vício por ela era constante,

meu desejo de transcender, latente.

Minha irmã e eu revolvíamos em redemoinhos

até nos separarmos no olho necrosado de um buraco negro

Ela cantarolou cantigas de nossa infância

mas não me revelou seu infame segredo.

Vaguei então por constelações além-mar

Escutei atentamente o que as estrelas sussurravam

“Vire pela eternidade depois da Virgem”

Lá, as galáxias se digladiavam.

E o que presenciei nesses infindáveis anos-luz, caro leitor,

me fez ansiar por paroxismos

e pela ternura da dor.

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