Odeio ela.

Odeio quando ela se olha no espelho e não consegue ver nada além do vazio que a consome.

Odeio o cheiro matinal dela: cigarro, café e raiva. Três coisas em que sou perigosamente viciado. Odeio quando ela morde os lábios até sangrarem. Acima de tudo, odeio os lábios dela. Sempre naturalmente vermelhos e ressecados, ásperos como as palavras quem saem deles.

Odeio os seios pequenos dela e como eles encaixam-se perfeitamente na palma das minhas mãos.

Odeio as unhas dela. Ora grandes, ora pequenas, ora carinhosamente pelos meus cabelos, ora rasgando-me as costas nas noite alternadas entre fúria e prazer. Odeio ela. Odeia as pernas finas dela, odeio o fato de gostar tanto de estar entre elas, e como gosto de simplesmente deitar nelas enquanto ouço-a respirar.

Odeio ela.

Odeio esse olhar zombeteiro dela. Odeio quando ela fica em silêncio quando a elogio. Odeio quando ela fala demais sobre si mesma. Odeio porque ela não conhece a si mesma.

Odeio a boceta dela e o gosto divino que ela tem. Odeio o calor dela.

Odeio esse vício que desenvolvi por ela.

Odeio quando ela não me acha bom o bastante. Odeio quando ela não se acha boa o bastante. Odeio ela. Odeio o fato de ela odiar a si mesma. Odeio porque nos odiamos: eu me odeio, ela se odeia.

Odeio esse vazio que ela deixou.

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