Agonia

Tu és o equilíbrio que me desequilibra.

Encontra-me na esquina, esmolando um tanto de sanidade para conseguir achar o caminho de volta para tua casa. Vais me achar em rituais pagãos adorando a deuses estranhos de terras amaldiçoadas, enquanto gemo de prazer ao ser possuída por entidades malignas, apenas para sentir mais uma vez como é ter alguém dentro de mim.

Certamente, às terças e quintas, estarei nas reuniões de viciados das mais degeneradas drogas possíveis. E após delas, tu podes me encontrar nas sombras de becos sem saída em guetos imundos, injetando-te de volta na minhas veias, sentindo teu peso sobre mim, até cair anestesiada nos braços de alguém que não se importa.

Sou aquele capitão ao longe, levando o próprio barco (com o nome em homenagem à sua perdida amada, engolida pelo mar) em direção a uma tempestade tropical, somente para descobrir o porquê de os piores desastres naturais terem recebido os nomes de todas as mulheres que ele já amara.

No final do dia, o fogo me consome em minha cama, e sou o bombeiro que tenta apagá-lo com gasolina, pois teu toque tem efeito semelhante ao das chamas sobre minha pele.

Tu és minha ruína, e procuro-te em todo lugar.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s