Nostalgia

Agora pouco, em um tom de melancolia, meu pai disse: Onde está aquela menina que fazia cócegas em mim e ria o tempo todo?
Bom, eu gostaria mesmo de saber. Venho procurando por ela há tempos. Deu vontade de chorar quando ele disse isso, então vim para o quarto e chorei mesmo. Do jeito que a menina das cócegas fazia.
Tentei lembrar de como era o sentimento de felicidade espontânea, dos risos ecoando pela casa, dos dias ansiosos para que as férias chegassem… mas nada me veio. Nem uma pontinha da lembrança. 
Acho que deve ser assim mesmo. Os dias se tornam curtos, vazios, amargos, sem esperança nenhuma que algo melhore. Esperamos pela aposentadoria e partimos. 
Então a menininha feliz entra no meu quarto, deita ao meu lado e chora junto comigo. Ela sente pena de mim, da minha solidão, do meu azedume. E eu nada tenho a oferecer em troca além do silêncio.

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